Onde, especificamente, dentro de um sistema de vapor, o risco de FAC é mais alto?
A resposta depende de uma série de fatores como a geometria do sistema, condições operacionais e qualidade do tratamento. Analisando as causas da FAC, já descritas na Parte I, ela se concentra em regiões de turbulência que satisfaçam as demais condições: pH abaixo de 9, faixa em que a solubilidade da magnetita aumenta significativamente, e temperatura entre 100 e 250 °C, com perda máxima entre 130 e 150 °C:
- Curvas e cotovelos, especialmente os de raio curto, onde a mudança de direção cria erosão localizada na parede externa;
- Reduções de diâmetro, onde a aceleração do fluxo aumenta o transporte dos íons de ferro;
- Saídas de equipamentos, como saída de economizadores, aquecedores e flash tanks;
- Regiões pós-válvula de controle, onde a perda de pressão gera alta turbulência a jusante;
- Linhas de condensado de retorno, particularmente em sistemas com presença de CO₂ dissolvido;
- Tubulações de vapor úmido (fluxo bifásico), onde a interação entre as fases amplifica o ataque.
Em relação a estes pontos, uma experiência de campo ilustra bem o problema: excesso de dosagem de sequestrante de oxigênio associado a uma distribuição inadequada do vapor na parte inferior de um desaerador de bandejas foi a causa da FAC. A seção de stripping operava a 1,7 barg, pressão que corresponde ao líquido saturado a 116 °C, dentro da faixa de FAC. Um estudo cuidadoso mostrou que uma placa defletora na entrada do vapor era responsável pelo aumento de turbulência, e havia excesso de dosagem de sequestrante associado a um pH abaixo de 8,5, com consequente geração da FAC.
Estrutura de um Programa de Monitoramento
A monitorização da FAC requer um programa estruturado com:
- Monitoramento químico: pH, oxigênio dissolvido, condutividade, ferro solúvel e CO₂, com frequência mínima diária nos pontos críticos e semanal nos demais;
- Inspeção de espessura: ultrassom de espessura (UT) ou TOFD nos pontos mapeados como críticos, com periodicidade definida pela taxa de corrosão histórica do sistema;
- Análise de tendência: gráficos de evolução de espessura por ponto — a tendência ao longo do tempo é o indicador real.
Um programa de monitoramento bem construído não evita a FAC. Ele garante que você saiba onde ela está e em que velocidade evolui, antes que a espessura residual chegue ao limite crítico.
Na Parte III, fechamos o tema com o mapa de risco formal e as defesas que efetivamente reduzem a taxa de ataque.