Nas duas partes anteriores, mapeamos os fatores que favorecem a FAC (velocidade, turbulência, temperatura, pH, oxigênio dissolvido, composição do aço) e os pontos do sistema onde essas condições se combinam: curvas de raio curto, reduções de diâmetro, saídas de equipamento, regiões pós-válvula, condensado de retorno e vapor úmido. Falta reunir isso num mapa de risco formal e nas defesas que efetivamente reduzem a taxa de ataque.
Defesas Contra a FAC
As defesas contra FAC decorrem diretamente desses fatores.
- Controle químico: pH acima de 9, faixa em que a solubilidade da magnetita cai, e oxigênio dissolvido ajustado ao regime do sistema (monofásico ou bifásico). A dosagem de sequestrante precisa ser calibrada; o excesso cria condições redutoras que retiram a proteção do óxido, o mesmo mecanismo do caso do desaerador descrito na Parte II;
- Seleção de material: ligas com cromo e molibdênio nos trechos mapeados como críticos, onde a substituição de tubulação por aço carbono comum não resolve a causa;
- Modificação de projeto: raio de curvatura maior nas curvas críticas e eliminação de reduções bruscas de diâmetro, quando o layout permitir.
Isso reduz a taxa de ataque, mas não elimina o risco por completo. Por isso o mapa de risco formal continua necessário. Ele cruza, ponto a ponto, a probabilidade de FAC (presença simultânea de velocidade, temperatura e pH na faixa crítica, mais o regime de oxigênio dissolvido) com a consequência de uma eventual falha (pressão de operação, localização, exposição de pessoal). Cada ponto crítico do mapa carrega o fator dominante que o levou ali e a defesa correspondente — não uma lista genérica de locais inspecionados.
Vida Remanescente (VR)
Sobre cada ponto do mapa, a decisão de quando agir depende da vida remanescente (VR):
VR = (espessura atual − espessura mínima) / taxa de corrosão
A espessura atual vem de ultrassom de espessura (UT) ou TOFD, técnica de inspeção por ultrassom que mede a perda de parede ponto a ponto; a espessura mínima, do código de projeto aplicável ao sistema de vapor (ASME B31.1). O detalhe que importa na FAC é que a taxa de corrosão precisa ser a do ponto específico, não uma média do sistema: a FAC é localizada, e um trecho isolado pode estar perdendo espessura muito mais rápido do que a média sugere.
Formalizar esse mapa é o que separa um programa de controle de FAC de uma reação a falhas, caso a caso, quando elas aparecem.